quinta-feira, 22 de outubro de 2009

E ainda o Nobel

O trabalho de Elinor Ostrom(ok, prometo que é o último post sobre o assunto. Pelo menos até que eu leia algum livro dela) lembra um pouco uma linha de pensamento que li para o meu mestrado: o Institucionalismo (que eu gosto de classificar como uma vertente mais civilizada do pensamento liberal). Me desculpem o proselitismo, mas vou citar um trecho de minha monografia e comparem com o que falei abaixo sobre o trabalho de Ostrom: "Ronald Coase, um dos nomes iniciais dessa escola, propôs uma fórmula que promovesse a negociação entre agentes poluidores e os afetados pela poluição, para que as duas partes chegassem a um acordo 'ótimo'. Para Coase, instituições como direitos de propriedade garantidos e um sistema judicial eficiente na garantia de contratos, podem assegurar um ambiente de regulação em que as partes possam chegar a esse acordo benéfico para ambos, a um baixo custo de transação". Lembra, não?
Bem, não vou entrar em mais detalhes, pra não ficar aborrecido(se é que já não está), mas a partir da análise de Coase e mais até de Douglass North, outro autor institucionalista, eu coloco ali como essa efetividade da atuação comunitária questiona um dos pilares do pensamento liberal, de que a motivação das pessoas seria sempre voltada à maximização de seus interesses próprios. Ou seja, o comportamento auto-interessado. Aqui, o melhor a tratar disso foi o também Nobel de Economia, Amartya Sen. De novo, me citando: "Sen lembra que a interpretação da racionalidade como auto-interesse funciona de maneira precisa para boa parte do comportamento humano e foi extremamente útil na evolução da ciência econômica. Ele só destaca que ela não pode ser confundida como o único comportamento realmente verificável". Agora, o próprio Sen, ao tratar do comportamento cooperativo:
"O comportamento, em última análise, também é uma questão social e pensar em termos do que 'nós' devemos fazer ou qual deve ser 'nossa' estratégia pode refletir um senso de identidade que encerra o reconhecimento dos objetivos de outras pessoas e das interdependências mútuas existentes"(Sobre Ética e Economia, Amartya Sen, Cia das Letras,pág. 101)

Enfim, não se questiona o mercado e suas regras formadoras de preços. Nem se pode prescindir do Estado e seu papel regulador.

Obs.: Só pra ficar claro, se não ficou acima: não estou dizendo que minha tese sequer roça no trabalho de Elinor Ostrom, claro. Estou apenas dizendo que outros autores vêm trabalhando nessa mesma linha de pensamento que demonstra como o comportamento econômico pode ser movido por algo mais que o auto-interesse. Este humilde escriba apenas citou essa linha de pensamento na dissertação(nada mais do que uma obrigação, dado o tema do trabalho).