Ecopessoal
Repensando a vida, sem perder o estilo
domingo, 31 de outubro de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
Sintomático
Como fiquei muito tempo sem escrever no blog, só percebi depois de ter publicado. Mas o último post foi o segundo em que elogio Bresser-Pereira. Juro que não é campanha! Mesmo porque, que eu saiba, ele não é candidato a nada. E, além disso, tem um currículo que dispensa meus comentários elogiosos.
Na verdade, pra mim essa repetição é uma demonstração de quanto está me incomodando esse clima de falta de discussões de propostas e esse mergulho no vazio da atual campanha política. De um lado, se discute quem seria o responsável pela tentativa de montagem de uma equipe para preparação de um eventual dossiê! Do outro, o candidato se pega numa discussão sobre as políticas adotadas pela Bolívia! Quando serão apresentados os projetos e propostas? Bem, a esperança é que depois da Copa do Mundo se leve a campanha a sério...
Na verdade, pra mim essa repetição é uma demonstração de quanto está me incomodando esse clima de falta de discussões de propostas e esse mergulho no vazio da atual campanha política. De um lado, se discute quem seria o responsável pela tentativa de montagem de uma equipe para preparação de um eventual dossiê! Do outro, o candidato se pega numa discussão sobre as políticas adotadas pela Bolívia! Quando serão apresentados os projetos e propostas? Bem, a esperança é que depois da Copa do Mundo se leve a campanha a sério...
Sim, ainda há honestidade intelectual
Nestes tempos de "Fla X Flu" político, nos quais ou se concorda totalmente com um dos lados ou se é considerado inimigo, quero destacar a honestidade intelectual e a coerência ideológica de um dos economistas mais subestimados dos últimos tempos: Luiz Carlos Bresser-Pereira. Sim, ele mesmo: ex-ministro da Fazenda no governo Sarney e autor de um dos planos fracassados para conter a inflação à época, plano que gera passivos para o Estado brasileiro até hoje. Mas também o primeiro a ter coragem de implantar uma reforma gerencial no governo. Uma reforma que beneficia o país até hoje e que precisaria ser aprofundada. E alguém que mesmo em relação aos seus erros à época de ministro, deveria ter sua atuação analisada à luz do contexto histórico e político. Como se deve fazer em relação a qualquer pessoa.
Seus artigos são um alento e, frequentemente, uma ilha de sensatez em meio a um mar de intolerância e incompreensão. Apesar de ser um tucano de alta plumagem, ele não leva isso em consideração ao escrever seus artigos ou ao formular suas propostas. Ele mantém a coerência intelectual na defesa de um projeto de desenvolvimento sem financiamento externo. Um país, para se desenvolver, não pode depender do dinheiro dos outros. Bem a grosso modo é essa a idéia-chave por trás do pensamento de Bresser-Pereira. E na defesa desse projeto ele não evita criticar políticas ou as medidas de governos do seu partido ou de partidos adversários. Ou elogiá-las, também sem pedir a carteirinha partidária de quem as implantou.
Um exemplo claro dessa coerência e dessa honestidade intelectual está na Folha de S.Paulo de hoje(06/06/2010), no artigo "Guerras modernas irracionais", no qual ele faz uma análise lúcida sobre a reação dos EUA ao acordo fechado por Brasil e Turquia junto ao Irã. Trata-se de uma análise que basicamente aborda o tema sob uma perspectiva Realista(uma das teorias das Relações Internacionais). E que usa essa ferramenta teórica para atingir uma compreensão desapaixonada do assunto. Simples assim.
Para quem quiser conhecer mais do pensamento de Bresser-Pereira, recomendo o site do próprio economista e professor da FGV(http://www.bresserpereira.org.br/). E para recomendar uma leitura sobre um tema mais diretamente relacionado com este blog, indico o texto "Mudança do Clima e Interesses", no qual ele, mais uma vez brilhantemente, analisa as motivações dos ataques à ciência do clima e suas conclusões sobre a necessidade de mudança na economia e na sociedade(http://www.bresserpereira.org.br/view.asp?cod=3834).
Seus artigos são um alento e, frequentemente, uma ilha de sensatez em meio a um mar de intolerância e incompreensão. Apesar de ser um tucano de alta plumagem, ele não leva isso em consideração ao escrever seus artigos ou ao formular suas propostas. Ele mantém a coerência intelectual na defesa de um projeto de desenvolvimento sem financiamento externo. Um país, para se desenvolver, não pode depender do dinheiro dos outros. Bem a grosso modo é essa a idéia-chave por trás do pensamento de Bresser-Pereira. E na defesa desse projeto ele não evita criticar políticas ou as medidas de governos do seu partido ou de partidos adversários. Ou elogiá-las, também sem pedir a carteirinha partidária de quem as implantou.
Um exemplo claro dessa coerência e dessa honestidade intelectual está na Folha de S.Paulo de hoje(06/06/2010), no artigo "Guerras modernas irracionais", no qual ele faz uma análise lúcida sobre a reação dos EUA ao acordo fechado por Brasil e Turquia junto ao Irã. Trata-se de uma análise que basicamente aborda o tema sob uma perspectiva Realista(uma das teorias das Relações Internacionais). E que usa essa ferramenta teórica para atingir uma compreensão desapaixonada do assunto. Simples assim.
Para quem quiser conhecer mais do pensamento de Bresser-Pereira, recomendo o site do próprio economista e professor da FGV(http://www.bresserpereira.org.br/). E para recomendar uma leitura sobre um tema mais diretamente relacionado com este blog, indico o texto "Mudança do Clima e Interesses", no qual ele, mais uma vez brilhantemente, analisa as motivações dos ataques à ciência do clima e suas conclusões sobre a necessidade de mudança na economia e na sociedade(http://www.bresserpereira.org.br/view.asp?cod=3834).
sábado, 17 de abril de 2010
Detesto Teoria da Conspiração
O título já diz tudo dessa nota. Eu tenho tanta bronca disso que sei correr o risco contrário. Ou seja, não ver articulações de bastidores onde elas de fato existam. Mas não dá pra aguentar notinhas lembrando iniciativas da Usaid(Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) de apoio a ONG's que atuam na Amazônia, para levantar dúvidas sobre as "reais intenções" do apoio do James Cameron à campanha contra a usina de Belo Monte. É o que vi no blog do Luís Nassif. É dar bola demais pro Cameron! O cara é um diretor competente no que faz(goste-se ou não), que veio aqui divulgar o lançamento do DVD. E como compraram bobamente a idéia de que o filme dele, Avatar, tem uma mensagem ecológica, ele embarcou na onda. Duvido que ele tenha lido duas páginas de algo sobre a usina que possa sustentar alguma opção, pró ou contra a obra. Além do mais, se alguém tem algum elemento concreto que comprometa uma ONG como "agente do imperialismo ianque", que apresente. Essas notinhas que insinuam coisas como "eu sei algo que vocês não sabem" são ridículas.
Eu gosto do Nassif. Pra dar um depoimento pessoal, comprei meu primeiro apartamento seguindo os conselhos dele. Na época estava ocorrendo uma grande mudança no Sistema Financeiro de Habitação e quem comprava imóveis tinha que optar entre várias formas de reajuste. Resumindo, quase todos os colunistas de economia indicavam a opção do reajuste semestral, que junto com outros detalhes resultaria em prestações menores com o tempo. O Nassif era o único que dizia que a opção anual era a melhor(ou vice-versa, já não lembro bem). Achei os argumentos dele mais consistentes, fiz a opção que ele indicava e ela se confirmou melhor com o tempo. O problema é que essa aura de paladino do desenvolvimento que ele vestiu nos últimos tempos talvez esteja obscurecendo seu pensamento. Atualmente, se você não concorda com tudo o que um lado diz, você passa a ser inimigo. Qualquer pensamento que relativize o projeto político de um dos lados é visto como um tiro que vem dos canhões adversários. Um indicador de que as fortalezas ideológicas dos dois lados talvez sejam frágeis demais.
Eu gosto do Nassif. Pra dar um depoimento pessoal, comprei meu primeiro apartamento seguindo os conselhos dele. Na época estava ocorrendo uma grande mudança no Sistema Financeiro de Habitação e quem comprava imóveis tinha que optar entre várias formas de reajuste. Resumindo, quase todos os colunistas de economia indicavam a opção do reajuste semestral, que junto com outros detalhes resultaria em prestações menores com o tempo. O Nassif era o único que dizia que a opção anual era a melhor(ou vice-versa, já não lembro bem). Achei os argumentos dele mais consistentes, fiz a opção que ele indicava e ela se confirmou melhor com o tempo. O problema é que essa aura de paladino do desenvolvimento que ele vestiu nos últimos tempos talvez esteja obscurecendo seu pensamento. Atualmente, se você não concorda com tudo o que um lado diz, você passa a ser inimigo. Qualquer pensamento que relativize o projeto político de um dos lados é visto como um tiro que vem dos canhões adversários. Um indicador de que as fortalezas ideológicas dos dois lados talvez sejam frágeis demais.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Pra não dizer que não falei de Copenhage
Bem, fiquei muito tempo sem postar e, com isso, perdi "apenas" a COP 15. Nada demais! Afinal, era só a mais esperada e importante reunião da Convenção de Mudanças Climáticas da ONU, que pela primeira vez juntou quase todos os chefes de Estado mais importantes do planeta(e o "quase" é essencial, por motivos que serão detalhados) e sobre o qual eu, como todos os envolvidos com o tema, vinha chamando a atenção há meses com vídeos, convocações, alertas e posts...
Ok. Agora que o tempo passou e muito já foi escrito sobre o assunto, creio que os leitores já estão informados e tem opinião formada sobre o que ocorreu. Pra não deixar passar o tema, vou acrescentar minha avaliação, rapidamente, abaixo. Afinal, com COP ou sem COP a questão das mudanças climáticas continuará sendo o principal tema deste blog e, por isso, inevitavelmente falarei mais sobre o assunto e outras abordagens aparecerão.
A China teve papel de destaque no encaminhamento do encontro em direção ao fracasso. Em primeiro lugar, pela ausência de Hu Jintao(motivo do "quase", lá de cima). Ele mandou o segundo escalão negociar com Obama, Gordon Brown, Sarkozy, Merkel, Lula e outros líderes. E a China usou a desculpa esfarrapada de não querer ser monitorada pelos países desenvolvidos no cumprimento de suas promessas de redução de emissões como justificativa para deixar o texto final do encontro completamente anódino, sem números de compromissos, sem instrumentos para redução de emissões, sem definições sobre instrumentos de mercado. Resumindo, sem serventia.
E o único erro importante do Brasil no encontro, apesar de no cômputo geral o país ter se saído bem, foi justamente ajudar a China a se esconder atrás do biombo do monitoramento. Comparar o monitoramento do cumprimento de metas voluntárias de redução de emissões pelos países em desenvolvimento com o monitoramento que o FMI fazia da economia dos países aos quais emprestava dinheiro nas décadas de 80 e 90 foi um despropósito. É um direito dos demais países saber o nível de colaboração que cada um está dando ao esforço global de redução de emissões.Os países em desenvolvimento são desobrigados de assumir metas mandatórias, porque precisam ampliar suas emissões, como parte do esforço de atender as necessidades básicas de suas populações. Mas isso não significa que não tenham responsabilidade no esforço global. China, Índia e Brasil vêm lembrando estes anos todos a importância do conceito das "responsabilidades comuns, porém diferenciadas". Mas às vezes parecem só se lembrar da diferenciação e deixam de lado a parte do conceito que lembra que as responsabilidades são de todos. O Brasil deu um importante passo à frente em suas propostas, mas nas negociações, acabou dando sustentação à China e seu velho discurso
Pra finalizar, quero deixar claro que considerar a China a principal responsável pelo fracaso da COP 15 não quer dizer que eu isente os EUA. Sim, eles foram a outra parte do jogo de soma zero. Mas comparativamente ao que os EUA apresentaram nas demais COP's e a resistência que a questão das mudanças climáticas ainda gera por lá, a gestão Obama foi ao seu limite de concessões em Copenhage.
Ok. Agora que o tempo passou e muito já foi escrito sobre o assunto, creio que os leitores já estão informados e tem opinião formada sobre o que ocorreu. Pra não deixar passar o tema, vou acrescentar minha avaliação, rapidamente, abaixo. Afinal, com COP ou sem COP a questão das mudanças climáticas continuará sendo o principal tema deste blog e, por isso, inevitavelmente falarei mais sobre o assunto e outras abordagens aparecerão.
A China teve papel de destaque no encaminhamento do encontro em direção ao fracasso. Em primeiro lugar, pela ausência de Hu Jintao(motivo do "quase", lá de cima). Ele mandou o segundo escalão negociar com Obama, Gordon Brown, Sarkozy, Merkel, Lula e outros líderes. E a China usou a desculpa esfarrapada de não querer ser monitorada pelos países desenvolvidos no cumprimento de suas promessas de redução de emissões como justificativa para deixar o texto final do encontro completamente anódino, sem números de compromissos, sem instrumentos para redução de emissões, sem definições sobre instrumentos de mercado. Resumindo, sem serventia.
E o único erro importante do Brasil no encontro, apesar de no cômputo geral o país ter se saído bem, foi justamente ajudar a China a se esconder atrás do biombo do monitoramento. Comparar o monitoramento do cumprimento de metas voluntárias de redução de emissões pelos países em desenvolvimento com o monitoramento que o FMI fazia da economia dos países aos quais emprestava dinheiro nas décadas de 80 e 90 foi um despropósito. É um direito dos demais países saber o nível de colaboração que cada um está dando ao esforço global de redução de emissões.Os países em desenvolvimento são desobrigados de assumir metas mandatórias, porque precisam ampliar suas emissões, como parte do esforço de atender as necessidades básicas de suas populações. Mas isso não significa que não tenham responsabilidade no esforço global. China, Índia e Brasil vêm lembrando estes anos todos a importância do conceito das "responsabilidades comuns, porém diferenciadas". Mas às vezes parecem só se lembrar da diferenciação e deixam de lado a parte do conceito que lembra que as responsabilidades são de todos. O Brasil deu um importante passo à frente em suas propostas, mas nas negociações, acabou dando sustentação à China e seu velho discurso
Pra finalizar, quero deixar claro que considerar a China a principal responsável pelo fracaso da COP 15 não quer dizer que eu isente os EUA. Sim, eles foram a outra parte do jogo de soma zero. Mas comparativamente ao que os EUA apresentaram nas demais COP's e a resistência que a questão das mudanças climáticas ainda gera por lá, a gestão Obama foi ao seu limite de concessões em Copenhage.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Carlos Gonzaga - Bat Masterson.wmv
Peço licença aos leitores. Estamos em plena COP-15, mas quero uma rápida licença para um registro pessoal. Algo que não tem nada de ecológico ou sustentável. Aliás, talvez haja poucas épocas mais anti-ecológicas do que o "velho oeste americano". .
Morreu Gene Barry, aos 90 anos. Barry encarnou ninguém menos que Bat Masterson, que a maioria das pessoas hoje desconhece. Em sua homenagem, o vídeo com a inesquecível música tema, na deliciosa versão brasileira de Carlos Gonzaga.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
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