quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sendo cabotino




O título do post já mostra que tenho consciência do que estou fazendo, mas não resisto. Na tarde em que Estados Unidos e China anunciavam seu acordo para "melar" a COP-15, eu escrevia o post "O nó da questão(ou um dos principais)". Ali eu mostrava o papel essencial da China no atual estágio das negociações internacionais para um novo acordo do clima. E a China, como está explicado ali, não é importante apenas porque é um dos maiores emissores de gases de efeito estufa e vem ampliando cada vez mais suas emissões. Ela é importante para os EUA, o outro país-chave. Porque se a China resolvesse assumir uma postura mais ousada e admitir metas de redução de suas emissões(ou, como o Brasil, admitir um "desvio de rota" no crescimento de suas emissões), os EUA ficariam numa situação insustentável e também teriam que tomar alguma atitude mais efetiva. Em vez disso, os dois resolveram se unir, para resistirem juntos à pressão dos demais países.
E o Brasil tem um papel essencial nessa pressão. Por mais que a meta brasileira mereça internamente uma discussão(daria pra ser maior? ela virá acompanhada de um programa de implementação? todos os setores do governo serão envolvidos no esforço de cumprimento da meta? ela será incorporada ao planejamento de todas as políticas públicas?), ela colocou o país em uma posição de vanguarda nas negociações, eliminando as desculpas que principalmente os EUA usavam para não assumir sua própria meta de redução de emissões. Eles cobravam que Brasil, Índia e China também deveriam colaborar no esforço mundial. Pois bem, o Brasil apresentou sua colaboração. Como é que fica Obama? E você, Hu Jintao, o que diz?