terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A distribuição do esforço para redução de emissões

Agora os principais países em desenvolvimento apresentaram suas "metas" de redução de emissões. Os Estados Unidos também apresentaram uma. China e Índia falam em intensidade de carbono. Ou seja, em reduzir a quantidade de emissões por unidade do PIB. Isso significa que os dois países poderão continuar aumentando suas emissões. Estima-se que podem até dobrar as emissões atuais até 2020.  A meta dos EUA usa como referência as emissões do ano de 2005. Se fossem usadas as emissões de 1990, a proposta do governo americano significaria reduções de 4%. Pouco mais da metade das reduções previstas no Protocolo de Kyoto para os EUA.
Ou seja, ainda há muito o que se evoluir nas propostas destes países e na discussão de um acordo internacional. Dificilmente se chegará ao nível de redução de emissões realmente necessário. Mas para quem acompanha as negociações internacionais há mais tempo, é alentador ver todos esses países ao menos assumindo algum tipo de compromisso. Seja mandatório ou voluntário.
Mas queria mesmo, depois dessa longa introdução, falar de um excelente artigo sobre o assunto, escrito pelo sempre lúcido professor Luís Carlos Bresser-Pereira. Saiu na Folha de S.Paulo, mas você pode ler, sem ser assinante do jornal, no próprio site do professor, no link a seguir: Aquecimento Global e Equidade
Ele apresenta para discussão uma proposta que eu desconhecia. Mas, assim como o professor, achei interessante. Trata-se de estabelecer o máximo de emissões per capita que o planeta é capaz de suportar para se atingir o limite máximo de dois graus centígrados de aumento na temperatura até 2050. Esse limite seria a meta para todos os países. Naturalmente, exigiria maior sacrifício quanto mais desenvolvido for o país. A medida  eliminaria a discussão pelas emissões passadas e colocaria uma meta facilmente verificável e comparável internacionalmente.
Me parece que realmente esta é uma proposta que trabalha com a questão da equidade entre os países. Mas minha dúvida é: e a equidade dentro dos países? Como serão distribuídos os cortes para se atingir essas metas entre os cidadãos? Implantar algo assim exigiria uma tremenda força política dentro dos países, porque certamente seriam necessárias medidas duras de controle de consumo de energia para as pessoas mais ricas, para as grandes empresas e mesmo para boa parte da classe média. Haveria como aprovar medidas deste tipo, por exemplo, nos Estados Unidos, onde a população é sempre refratária a medidas governamentais de restrição à liberdade individual? Ainda mais sendo medidas impostas de fora para dentro do país?